quarta-feira, 2 de julho de 2014

Brasil na Copa gastronômica

Brasil na Copa gastronômica
Tempero brasileiro para seduzir o turista estrangeiro 
 
Mateus Reis
Estado de Minas: 02/07/2014


A gente conquista um povo pelo estômago. O tempero brasileiro é hoje uma das principais estratégias do mercado de turismo para flechar de vez os visitantes estrangeiros. Se o futebol tem o mérito de ter atraído milhares de turistas para as nossas terras em 2014, a gastronomia é o nosso trunfo para garantir que eles voltem em qualquer época – e tragam consigo conterrâneos ávidos por experimentar as delícias de um cardápio multicultural. Belo Horizonte é a capital dos bares e restaurantes, e a aglomeração de turistas estrangeiros em torno das nossas mesas nos últimos dias mostra a força que o prato exerce no intercâmbio entre as culturas. A palavra gastronomia vem do grego “gastros”, que significa estômago, e “nomia”, que quer dizer conhecimento, mas a atualização do conceito mostra que a comida nos leva a saberes muito mais profundos.

A gastronomia é sem dúvida uma forma de intercâmbio entre diferentes nações. Ela encabeça a lista de costumes, e sempre é citada quando se faz referência ao que é típico de cada país. Os pratos preferidos dos nativos dizem muito sobre quem eles são. A fartura da massa italiana tem a tradição das famílias que almoçam juntas aos domingos; os sofisticados creps e escargots parisienses traduzem a áurea romântica da cidade; o fast-food americano é reflexo direto do “american way of life”, voltado para a produção e consumo em larga escala. No Brasil, a culinária é, pois, retrato fiel da mistura de povos que aqui viviam e vieram, para colonizar ou trabalhar. Uma interação que não foi isenta de feridas, mas que resultou em uma cultura inquestionavelmente rica, que se manifesta de forma pungente em cada prato, servido em cada restaurante, cada bar e cada casa desse país. Um estrangeiro que quer ir além dos estereótipos brasileiros tem na culinária uma forte aliada. Muito além do feijão com arroz, nossos 27 estados têm riquezas que não concorrem entre si pela complexidade gastronômica de cada uma delas. Do exótico pato ao tucupi à tradicional feijoada, oferecemos aos estrangeiros a chance de experimentar chimarrão, churrasco, moqueca, pão de queijo e outras iguarias regionais. Quantos universos estão reunidos nos pratos brasileiros? Os mineiros têm no cardápio as viagens dos tropeiros que pernoitavam nas estradas em busca do ouro; e também as mãos firmes das quitandeiras que faziam doce de amendoim e tinham que censurar os meninos que tentavam comê-los antes da hora, dizendo “pede, moleque!”. (Sim, essa é uma das prováveis origens do nome do doce pé de moleque.)

Muitas outras histórias estão reunidas na culinária do país, que recebe o mundo inteiro para um campeonato de futebol. E quando esses turistas não estiverem em campo vibrando pela sua Seleção, estarão certamente acomodados em algum restaurante, diante da televisão, imersos no intercâmbio promovido pela gastronomia, no qual a língua não é entrave, mas facilitadora da troca cultural. 

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